domingo, 10 de setembro de 2017

Monólogo hermético

Não gosto de beber na sua frente.
Quando acordo tarde não gosto que vc saiba.

Fico triste quando vc chora. Fico inventando um jeito de alegrar vc.

Neste dia dos pais que passou vc estava fora, me procurando, talvez.
Eu q estava fora de mim, não sei. Será que vc me viu
e não vi vc?

Cada dia que passa me mostra a importância q dou à sua presença,
e procuro vc em mim mesmo, e me pergunto se tenho, de fato, um filho.

Finalmente descubro.

Talvez seja pai de mim mesmo, concluo, dando conta:

Filho, eu sou vc

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

João, o Discreto









Se vivêssemos na Idade Média, este seria seu nome
Quando sai-me um, alma afora (pra onde foi o Pedro?), fica-me corpo e alma adentro, o irmão que, sim, conheço.
Não sei se irei antes dele, mas nunca poderia ir sem dizer algo relevante, de antemão, publicamente, mesmo q só pra garantir q algo eu disse.
O que, sabemos, eu e vocês, de verdade, verdade mesmo, dessas verdadeiras, é muito, muito pouco para traduzir
João, o Cavaleiro Discreto. João, o Cavalheiro Discreto.
Portanto,
JOÃO, O DISCRETO
O Tributo Em Vida que presto está longe de ser um agouro.
Ele sorri de graça, apoia de graça, não se importa em oferecer sem retribuição.
You name it. Ele faz ou tenta fazer.
Você e eu sabemos quem é o João.
Cada um com seu próprio prazer.
Chefe, desculpe-me em expor sua infinita beleza.
Tão discreta.
Mas alguém precisava fazer.
Dizer

Réquiem para um desconhecido


Não conheço o Pedro Paulo Di Giacomo.
Confesso que nunca fomos próximos.
Tanto qto eu gostaria.
Sempre "faltou Pedro".
Por isso digo que não o conheço.
Sei que meu irmão era muito organizado. A pessoa mais organizada, física e mentalmente, q já conheci.
Recebi alguns recados de seus e nossos amigos, demonstrando que ele era um "admirador secreto", meu.
Ele tinha "vergonha de emoção"
Recentemente me enviou uma mensagem no whats, dizendo:
"-Tenho muito orgulho de ser seu irmão. Não é pra responder."
Era ele, nesta hora.
Disso eu sei.
Uma certa profecia do q se avizinhava.
Uma despedida bonita.
Uma declaração de amor
Enquanto escrevo, choro.
Agora é a hora
Organizado como era, não poderia nos deixar de uma forma "acidentada"
Pedro, em suas "desregras", optou por não se matar enquanto vivia, dia a dia.
Pedro "se viveu", como todos sabem.
Viveu muito bem, todos sabem.
Não cabe a nós optar por ele
Pablo Neruda diria, como ele deve estar dizendo:
CONFESSO QUE VIVI
Um abraço, Pedro. Vamos nos ver mais do lado de lá

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Questão de caráter



É a maior cara dura. Todo mundo sabe que a intenção é enganar.
O heróis, mais dissimulados, fazem que vão pra lá, mas vêm pra cá. Fingem que miram lá, mas dão cá. Pura enganação. E a gente aplaude. Pode?

Uma atividade onde o conluio é notório e premiado. Milhões de pessoas achando lindo ver gente sendo ludibriada.
Quando se pega alguém desprevenido, então, é uma loucura. Fazem os outros de bobos e, impunes, saem ganhando com isso. É a lei de Gerson prevalecendo nesta atmosfera de más intensões declaradas: roubar algo dos outros é o que todos querem, e, quando conseguem, não são punidos. Pelo contrário. Levam a tal da vantagem.

Tem gente que paga pra ver este circo e torce pra alguém se dar mal. É gostoso, não é mesmo?
Enganar e vencer.  Massacrar, se possível.
Mais um drible, por favor. 

Viva o futebol.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Legenda sem foto



Minha mãe me dizia: “Meu filho, se vc quer ser poeta, não escreva sobre você. Não use a primeira pessoa, jamais. Do alto de sua sabedoria, ela, uma escritora consagrada, ditava leis. Tanto quanto me ensinava que num quadro se pinta primeiramente o fundo. E as camadas vão se sobrepondo. Realmente ficava difícil pintar o céu por último.
Naquela varanda, para não ter asma com o cheiro da tinta a óleo, eu imaginava o mar.
E, sem escrever sobre mim, como incauto hoje o faço - falando na tal da primeira pessoa,
eu nadava no mar que imaginei.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Vai entender

Eu não entendo o mosquitinho de fruta que voa ao meu redor, me provocando. Eu não sou fruta (em nenhum sentido), não tenho nenhum atrativo pra ele, e ele insiste em me provocar.
É a vida dele que está em jogo e mesmo assim ele a arrisca por algum capricho que não consigo compreender. Será que passear perto do perigo faz parte de suas necessidades fisiológicas? O seu equilíbrio psicológico acontece vivendo com adrenalina?
Ele provoca.
E o bichinho é rápido.
Tento pegá-lo e ele escapa, feito um raio. Mas é a vida dele versus a minha satisfação em me livrar de mais um mosquitinho, apenas. E ele volta insolente. Rodeia, insiste neste joguinho.
Vá-se  embora mosquitinho, eu sou perigo iminente.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Evolução

007 a domicílio. É o que nos reservou o futuro. Uma maquininha dentro de nossa própria casa que diz tudo sobre a vida da gente, com a nossa contribuição. Agora acabo de ver uma notícia no Estadão dizendo que a Rússia está voltando à máquina de escrever para evitar espionagem.
Numa época em que o vinil tomou força novamente pela sua qualidade de reprodução ser reconhecida como melhor que a do CD. Numa época em que só se fala em andar de bicicleta.
Estamos voltando às origens. Na Exame eu leio que nova pesquisa sugere que o aumento de CO2 na atmosfera tem ajudado a impulsionar o crescimento da vegetação em regiões áridas. O deserto virando savana. É o que diz lá.
Enquanto escrevo me policio para não escrever nada comprometedor, porque hoje em dia também precisamos tomar cuidado para não sermos processados. “Politicamente correto”.
Falando em política, se é que não estarei violando alguma lei ou etiqueta atual, chegamos ao ponto de gritar cada um uma coisa, querendo reivindicar tudo que desejamos.
007 a domicílio. O delivery de informação às avessas, nos ajuda a “evoluir” mais um pouco para o bico de pena em pergaminhos ou coisa que o valha.
Logo evoluiremos o bastante para se ter carruagem na porta com cocheiro particular.  E os artistas voltarão a saber porque desejam merda uns aos outros na estréia de seus espetáculos: muita merda de cavalo na porta do teatro será novamente sinal de casa cheia.
Preciso desligar. É o FBI batendo à minha porta.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A aposentadoria dos animais

Ah, o Discovery... Viramos “cultos” depois de sua existência.
Agora discorremos sobre todos os assuntos com autoridade. Sabemos de tudo, não é mesmo?
Mas não é exatamente disso que estou querendo falar hoje.
Passei pelo canal e parei vendo um puma caçando uma lebre na neve. Bonita cena, coisa e tal. Logo veio à cabeça: Quando ele fica velho e não corre tanto, como será que ele faz? Será que seus filhos trazem comida pra ele? Será que ele muda a sua dieta na velhice? Afinal de contas ele tem que correr atrás da comida. Literalmente.
Então ele começa a comer capim, cenouras, rabanete com alho porró?
No caso deste puma do Discovery talvez até pudesse ter uma solução: Ele enterraria muitas lebres na neve, bem escondidas, pra comer depois. Lá é gelado, não é mesmo?
Quando ele estivesse ficando mais cansado, com dor nas juntas, ficando tonto quando levanta, sabe? Um puma meio velho mesmo. Daí ele comia estas deliciosas lebres na velhice, descansando assistindo elas passarem, como quem vê TV.

 Quem sabe como quem assiste ao Discovery Channel.

segunda-feira, 18 de março de 2013

O dia-a-dia








Acabei de comer uma banana maçã. Fico pensando se a nomenclatura de tudo seguisse o mesmo critério de laranja pera, banana nanica, banana prata... Seria uma forma de explicar melhor as coisas no dia- a dia.
Veja o peixe boi, por exemplo. O macaco aranha. Em inglês, a horseshoe ( ferradura ), literalmente sapato de cavalo.
Quem conhece o sapatênis? Este nome pra mim é um dos piores. Porta-cartão não deixa de ser engraçado. Fico imaginando como seria esta porta. Escrito o nome da empresa, nome do funcionário, telefone e endereço. Ah, e o site.
O alto-falante, aquele cara de 1,90m muito tagarela, sabe? Os anos-luz, aqueles tempos do Iluminismo? O bate-boca. No que a boca iria bater? Seria perto do bate-papo? Isso daria numa saia-justa, eu acho, se fosse o caso de se encontrar uma dama de ferro.
O leão de chácara. Este é engraçado. Mas define bem o cara que ficava na porta da boate. Não consigo deixar de visualizar a chácara que ele toma conta.
Era seu ganha-pão. Seria este uma fruta-pão?
Daí voltamos ao início deste pequeno raciocínio.