quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Histórias do Benga, 7 - Infância em Maranduba.




 (Sônia e Sean  cozinhando)

A minha prancha tinha olhos e boca, feitos com o cigarro de algum adulto, para derreter o isopor. Era a imitação de um tubarão.
A gente usava camiseta pra pegar onda, porque o isopor irritava a barriga.
Mas era muito bom, naquelas ondas “caixote” – que quebravam bem de frente, sem saídas laterais. A gente descia até a areia olhando a vida passando,  sem pudor.
Quando tinha ressaca, depois de chuva, com aquela água amarronzada, que vinha do rio Maranduba e desaguava no mar. O rio que passava do lado de casa onde eu pescava pitu lá da ponte de madeira que sempre caía – nunca fisguei um. As ondas gigantes, pra mim, um pequeno ser.
Duas horas depois do almoço podia começar, meu pai dizia. “Tem que fazer a digestão!”
Ele vinha nos fins de semana, naquele Dodge vermelho, com o porta-malas cheio de comida, de São Paulo.
E a gente começava, nas ondas. Sem parar. No paraíso.
Muito mais distante que hoje em dia o é.
Muitas ondas rolavam naquela tal Maranduba. O Pimenta, da venda. No trailer, o Mané.
O amendoim japonês, do Pimenta. O cheese salada que a gente mesmo fazia, lá no Mané.

Pescando siri com a tia Sônia, passando o picaré.

Ela passando champagne na testa da gente no dia de Iemanjá.
Vinicios, Maria Bethânia com a Rosa dos Ventos. Chico com sua Construção.
O pôquer na mesa de feltro, né tia?

"Hoje tem vatapá, pessoal!"


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ctrl








Fazendo aqui logotipos. Pra quem não sabe, eu faço propaganda também.
Lidar com vetores, isto é, na Wikipédia diz “Em geometria analítica, um vetor (português brasileiro) ou vector (português europeu) é uma classe de elementos geométricos, denominados segmentos de reta orientados, que possuem todos a mesma intensidade (denominada norma ou módulo), mesma direção e mesmo sentido[1]. Em alguns casos, a expressão vetor espacial também é utilizada.”

Mas, e as curvas?
Tudo bem.

Pois é. Lidar com vetores é interessante.

Bom, aqui criando, voltando ao assunto.
No software, existem vários macro-comandos. Facilitam o processo. Você digita um código em vez de executar pelo mouse. Sei lá, facilitam...

Existe um muito importante, o Ctrl + Z, que é o “Desfazer”. Você volta de um a cinco comandos, se perceber que errou, por exemplo.

Tudo isso pra explicar que eu fui provar o molho do macarrão e cheguei com a colher muito rápido à boca.

Pronto, pingou.

Ctrl + Z, pensei.

Bom, daí lembrei-me da minha vida e me perguntei quantos Ctrl + Z eu daria. Pensei nos meus erros, acertos. Pensei.
Daí fui olhar no sistema e notei que o comando "Refazer" também existia: Ctrl+Shift+Z. Eu mal o conhecia.
Normalmente resolvo e corrijo depois de feito.

A pergunta ficou mais difícil:

Qual dos dois você mais daria?

Tudo bem.

Esta é uma pergunta retórica.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mais uma sessão



Tomada aérea noturna, sobrevoando os prédios de Nova Iorque. Aqueles com janela de vidro espelhado. Os carros passando nas avenidas e ruas lá embaixo. Os créditos com os nomes dos artistas. Está começando.
Pode ter certeza, você está vendo um filme americano.

Quando o começo é de uma família perfeita, num dia perfeito, se divertindo, você pode saber: vai dar merda. Vai rolar acidente ou algum bandido vai querer estragar tudo. Este começo já te dá toda a pista. Filme americano.

Lá no meio aparece a tomada do avião. Sempre tem um avião nestes filmes.
Se der jeito de encaixar um tribunalzinho, - "No further questions, your honor!" - pode ter certeza que vai rolar. 

Tem o cara deixando uma nota sem esperar o troco, no bar onde ele bebeu uma dose cowboy, chamando o barman pelo nome, é lógico.

Ainda tem aquela briga de sempre no final, onde o mocinho apanha muito, mas muito mesmo. Mas de repente ele vira a briga, e, com três socos, desacorda o bandido. Ou pior ainda, o mata. Com aquele revólver que caía da mão de um para a do outro toda hora na briga. 

Daí chega a polícia, sempre atrasada, que deduz e entende tudo que aconteceu, que, por conta própria julga a situação e não prende o mocinho, que cometeu um homicídio, imagine.
Não tem flagrante no filme, quando se mata bandido.

E, pra terminar, como em todo bom filme americano, alguém faz um discurso pra um monte de gente. 
A multidão aplaude. São as palmas do final.

Muitas palmas, pessoal. Vamos ver a bilheteria.

sábado, 18 de agosto de 2012

É o canal

Nós, adultos, somos quase obrigados.
Crianças! Fujam da sala!
O ser humano é pequeno demais. Não cresçam, por favor.
A gente, que tem canais fechados, sofre e se desconcerta.
De repente, do nada, trocando o canal, você se depara com uma “ginástica  rítmica” muito cafona de uma moça querendo mostrar a bunda de forma “criativa”.
Isso depois de você ter comido uma carne moída com risoto de aspargos. Ou antes. Pior ainda.
Cada vez mais somos invadidos por gente “muito sensual” se mostrando de graça, querendo ser criativa, repito.
Fica um campo minado procurar o que assistir na televisão.
Virei Nelson Rodrigues e não sei.
 Boa noite pra todos. Vou trocar de canal.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Pare

Imagem: F5
Está na Folha on line:

“Uma mulher chinesa encontrou uma maneira bem original para mudar o trânsito perto de casa. De acordo com o "Huffington Post", ela estava cansada dos motoristas que passavam em alta velocidade em um cruzamento e os guardas de trânsito não a ajudaram. Desta forma, ao invés de conseguir uma placa, ela amarrou uma boneca inflável em uma árvore perto da calçada.”.

A ideia é interessante. Uma boneca de biquíni dando tchauzinho no meio da rua. Só não iria funcionar muito nas cidades do litoral, onde se circula assim por todo lugar, mas em cidades como São Paulo, iria muito bem.

Teriam que dar banho nela de vez em quando, porque senão ficaria com cara de mendicante, o que não interessa a ninguém olhar. Um batonzinho, um perfuminho talvez. Um penteado para agradar.

Quem sabe mudar o biquini às vezes também não seria legal. Alguma marca poderia patrocinar, porque hoje em dia a propaganda não deixa nada escapar.

Iriam colocar uma cerveja na mão dela. A Brahma iria adorar.
Com sandália Havaiana e um bom protetor solar, ela faria o trânsito parar.

Até mulher iria se candidatar.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Bomba! Bomba!


Imagens: Folha / Fotos: Gilberto Travesso

Nós, aqui, tupiniquins, ingênuos - fora o pessoal lá do planalto, sabe? – não podemos nos imaginar tão “evoluídos” ao ponto de querer travar guerra santa ou coisa assim. Destruir ou matar sem nenhum motivo, por exemplo.

Nós, mais atrasados, matamos para ganhar dinheiro, comer, ou por algum objetivo definido.

Nós não nos fantasiamos de Coringa, Valete, Dama de paus, etc., e compramos 6 mil balas para sair detonando gente inocente por aí.

Nós não somos idealistas, é verdade.
Mas pra que serve o idealismo?
Isso não acaba em radicalismo?
Pois é. Acaba.
Ou começa, sei lá.

Bom, pra nós, relembrando, isso não interessa mesmo.
Nós aqui somos pacatos, somos um povo "diferente".

O engraçado é colocar estas imagens logo acima num contexto diferente.

Aqui nós damos uma ajuda. Paramos no sinal e damos umas moedas, não é?

” O baiano Adailson Barbosa dos Santos, 40, trabalha com ferragens e mora há mais de dez anos no Jardim Helena, zona leste de São Paulo. Nas ruas do bairro, ele procura lugares inusitados para mostrar a ‘arte’ do equilibrismo. Adailson passeia com sua bicicleta em meio ao caótico trânsito da avenida Marechal Tito,  transportando sobre a cabeça um botijão de gás vazio. ‘Faço isto para mostrar minha arte e ser reconhecido por todos pelo que faço de melhor’, diz Santos.”

No Oriente Médio, sei lá. Nos EUA, também.

Esta aparente ameaça é o Homem-bomba brasileiro.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pouco Shampoo

Foto: Uol Notícias
Eu lia no Uol Tablóide:
William McKee, engenheiro de software no Vale do Silício, tinha um problema que o incomodava: a calvície.
Resolveu então , numa farmácia on line da Índia, comprar uma versão genérica do medicamento Finasterida. 
“O engenheiro alega que depois que começou a tomar o remédio, sua vida mudou. Os seios começaram 
a aparecer, seu corpo começou a ficar feminino e sua orientação sexual mudou. McKee agora se sentia 
atraído por homens e sentia uma vontade louca de se vestir como mulher.”
Ele, depois disso, começou a usar uma peruca loira, vestidos curtos e maquiagem, e responde pelo nome
de “Mandi”.
Ele não pode processar a Merck, por ter efetuado a compra via Internet.
O que chama atenção nisso tudo não é o fato da transformação toda ter ocorrido.

Engraçado mesmo é o fato de ele estar usando peruca.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Histórias do Benga – 5, Cabra!


Éramos eu, o João, o Cadú, o Peninha, o Renato e alguém mais que me falta à lembrança. Mas a base era esta mesmo.
Pra quem não sabe, o Peninha morreu num acidente de carro, mais tarde. Ele era o mais biruta de todos. Mas também o mais engraçado. Protagonista da famosa “pose cachorral”, na boate Castelinho, em Caraguá, naqueles tempos em que nada tinha muita consequência. É que ele arranjou uma namoradinha lá, na boate, e começou a atacá-la, parecendo um cachorro copulando, prensando a menina numa coluna. Uma cena grotesca, mas muito engraçada, que ficou na memória.
Naquele tempo, anos 70/80, existiam várias regras que seguíamos. E uma delas versava sobre o direito de se sentar na frente, ao lado do motorista, quando se ia a algum lugar. Derivada do termo “peru na frente”, que se dizia quando se queria sentar lá, resolvemos mudar, por sugestão do João, para “Cabra”. Seria outro bicho, mais original.
Chegando perto do carro, antes de se entrar, alguém lembrava antes e gritava “-Cabra!”, e ia sentado lá.
Tinha uma limitação na Cabra. Você, uma vez tendo “cabrado” na ida, por exemplo, não poderia “recabrar” na volta ou numa viagem seguinte. Portanto surgiu o famoso mandamento “Quem cabra não recabra”.
Só que apareceu uma jurisprudência neste procedimento. O Peninha, e alguns outros, recabravam. Nem todos respeitavam a nova lei. Portanto criei um dispositivo de punição para quem recabrasse. Os DIREITOS CABRAIS.
Direitos cabrais eram aplicados pelo passageiro que ia atrás do infrator. Enfiava-se as mãos pelos lados do banco e se apertava o peito do recabrante, que morria de cócegas, pedindo pelo amor de Deus para que parasse.
Portanto cunhou-se a frase, imortal: “Quem cabra não recabra, e, aliás, existem direitos cabrais.”
Existia uma corrente contra os direitos cabrais, no grupo, que defendia outro texto para esta legislação: “Quem cabra não recabra, e, aliás, não existem direitos cabrais.”
Mas que existia, existia. Eu fazia justiça com minhas próprias mãos.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Eu sou normal


“Garota ir ao cinema é uma coisa normal. Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau.”
Nem faz tanto tempo assim.
Nesta letra do Erasmo Carlos, é interessante, não o fato de ele não gostar que ela fosse ao cinema sozinha, mas sim o de ele ter que explicar para quem ouve a música que ela fazer isso é normal.
É didático. Ele informa.
Parece, antes de continuar com uma desculpa esfarrapada para sua insegurança, dar a informação que isto é natural. “Autorizar-se” a mulher a ir ao cinema sem ele. Esta “autorização” é uma praxe. Mas no meu caso, prefiro dificultar as coisas porque sou muito macho. Chego a ser mau, de tão macho que sou. E uma das maldades que pratico é criar caso quando minha namorada vai ao cinema, porque, na verdade, eu fico com medo que ela encontre outro e fuja com ele.
Na verdade, a ”fama de mau” é um disfarce. Devia ser um impostor, que, quando na intimidade, faria ceninhas de ciúme e ela tinha que aguentar. E ele não era apenas um adolescente. Já era bem crescidinho.

Mas... eu gosto dele... Todo mundo gosta... certo? Certo?

E eu fico discutindo com mais esta música, que toca na Globo News, na chamada do programa de comemoração de cinquenta anos de sua carreira. 

E a chamada, como um disco riscado, não pára de passar.

domingo, 17 de junho de 2012

Quem avisa, Vivo é.

Outro dia eu li uma crônica do Antonio Prata, postada na página do Flavio Lembo, que narrava com maestria, as sensações:
“ Poucas coisas nesta vida são mais tristes do que receber uma mensagem da operadora de celular.”
Falava sobre o estado de expectativa gerado quando o aparelho dá o sinal de nova mensagem. Você vai ler e descobre que é algo que eles querem nos vender. Desmorona o mundo. Tudo se acaba. É algo do interesse DELES. Um orgasmo é adiado.
E, realmente, a sensação de vazio, desamparo, incomoda. É como se você desse a chave de casa para uma namorada e ela não soubesse usá-la. Como que se ela aparecesse, com a mãe e os irmãos, fazendo barulho no meio da noite de uma quarta feira chuvosa sem te avisar. E você dormindo, ingênuo, entrasse num pesadelo invertido – aquele na hora em que você acordasse.
Mas não quero, aqui, nem tentar concorrer com o texto que li. Era magistral.
O que me leva ao assunto é a lembrança que tive deste desabafo.
Meu telefone tocou. Era uma mensagem chegando. Na verdade era mais um balde de água fria, deles, na nuca, neste inverno gelado.
Era a Vivo me “informando” que minha conta havia chegado, “informando” valor e código de barras para a “eventualidade” de ela não chegar à minha casa. Todo mês, antes do vencimento da conta, chega este simpático aviso. Qualquer dia eles me dizem que podem vir buscar o dinheiro, se precisar. É uma preocupação tão grande em manter a minha pontualidade nos pagamentos, que eles não se incomodam em incomodar. Não se tem a menor noção de elegância nem de etiqueta, conveniência. Eles entram na minha casa, no meu carro, cozinha, onde for: “-Pague sua conta!”.
Engulo em seco. Não sei nem pra quem reclamar. Se soubesse, o que eu diria? "- Sou bom pagador. Não precisam me lembrar.". É uma cutucada infame que tenho que aguentar. Uma atitude covarde, de quem tem acesso aos meus dados, minha intimidade. Um abuso, uma falta de senso. Como comer de boca aberta, falar de boca cheia, cutucar o nariz na minha frente, sei lá.

Logo passa e deixo pra lá. Mês que vem acontece de novo. No seguinte também.

Um dia vou morar na floresta. Vou voltar às origens. Sinal, só de fumaça. Celular nunca mais.