segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Histórias do Benga - I



Os dois figuras em 1981


Eu (antigamente, muito antigamente, atendia por Benga) e meu irmão, o João, estudávamos no Santo Américo, na adolescência. A gente só aprontava.
O colégio tinha um sistema que era o seguinte: se o aluno faltasse, eles ligavam para a casa dele para saber por que faltou. Se atrasasse três vezes, o aluno não podia entrar. Voltava para casa na terceira e nesse caso eles não ligavam.

Bom, o que a gente fazia: chegávamos atrasados duas vezes, e, na terceira, sempre éramos barrados. Provocávamos a situação e íamos passear, encontrar as namoradas, etc.. Uma vez paramos embaixo de uma árvore e dormimos na Brasília, de portas abertas, porque estava calor.

Outras vezes colocávamos a tomada do telefone (sabe aqueles telefones que tinham plug, antigmente?) em meio estágio, o que criava pane na linha, que ficava dando sinal de ocupado. O “seu” Paulo, da Portaria do colégio, ligava a manhã inteira para saber o motivo da falta e desistia.

O diretor, professor Nello, só de olho, uma vez, em nossa “terceira atrasada”, sacando o que fazíamos, nos viu “implorando para entrar”, dissimuladamente, para não dar na cara.
Ele disse: “Ok. Podem entrar sim. Eu acho que não é bem o que vocês queriam, mas eu vou deixar.” Fomos obrigados a “agradecer o privilégio” e entramos acabrunhados.

Escolados, numa vez seguinte, resolvemos faltar de uma vez. Assim não tinha este “perigo”. Quando demos por nós, lembramos que o telefone tinha ficado funcionando. Eles iam ligar! Nossa mãe, que Deus a tenha, estaria na porta de casa, desesperada - visualizamos.

“- Boa idéia! Batemos o carro e justificamos!”

O primeiro poste foi o cúmplice. Lá se foi o carro pra Cibramar.
A Brasa em Maranduba, um lugar que, se falasse, teria que ser eliminado do mapa.

Pastel de feira

Foto: Beco Bresler

Ir ao CEAGESP é uma aventura interessante. Aquela fartura toda... Tudo fresquinho...

A barraca do pastel é unanimidade. Sempre esgota seu estoque. Aquilo é muito bom. Filas se formam para a degustação. Quentinho, feito na hora. Tentação.

Mas aquele óleo suspeito... As unhas do atendente... Balcão bagunçado. O molho de pimenta, o de tomate com repolho, colherzinha de plástico, que não enganam ninguém. Fazem parte do “tempero”, do sabor.

Se triglicérides tivessem Quartel General, este seria seu endereço. Sem falar no amido, glicose pura na veia.
Ah! E o colesterol... Uma legião desses bichinhos nervosos entrando em nós, que sorrimos de boca cheia.
Aquele quibe que deveria exigir porte de arma para se poder comprar.

Aquele pastel “Especial”, onde vai feijoada, lasanha, ovo cozido, picadinho, espaguete... Tudo que você imaginar, no recheio. Mais parece uma bomba embrulhada pra presente.

Devia ter uma placa na barraca: “Isto é veneno.”, ou algo assim, como se faz com os cigarros.

Depois de divagar sobre o assunto, viro-me para o rapaz:
“- Acabaram com o quibe? Puxa, você nem avisou...”

domingo, 30 de janeiro de 2011

Amor - versão da caixa do Pão

Foto: Beco Bresler

Ela tomou o maior Sustagem com a surpresa. Era ele chegando para as compras.
No turno da noite, apesar de não ser Bohemia, trabalhava, muito Activia.
Ele era uma agulha na batata palha. Omo ele não era. Yoki ele era solteiro, coisa rara. Mas, pra confiar, tem que ser em Becel - pensava ela.
Ele não era nenhum Garoto. Nem Zorba, um grego. Também não tinha muita granola.
Ela jovem e Sadia. Sonhava em passear na gôndola, ferver o sangue na aveia de emoção.
A Quinua, sentia-se lá, na frente dele. Era batata.
Não era Lindóia, mas se cuidava. Tinha, cá, fé, indissolúvel, trabalhando sem descanso, quase. Era uma vida de grão em grão.

Mas já estava farta do gerente, bom grão-de-bico sem vergonha que assediava. Pra dar o troco, nunca tinha as mesmas moedas. Mortadela mesma sentir vergonha, ficava congelada. Aquele frango sem pé nem cabeça ficava na panela dos gerentes, olhando de longe, cozinhando o galo. Ela, sem Papardelles na língua, não gostava. Achava que ele era um saco de lixo – dizia às colegas.

De outro lado, ele lá, Perdigão, não encontrava nada que procurava. Achava que, mais de um Tostão pelo Café Pelé, não dava. Ela, só registrando tudo, do caixa. Achava mesmo que ele era um pão. Pão, pão, queijo, queijo, na verdade. Tinha que fazer Quaker coisa.
“- Se ele abrir uma Coca...Cola? Cerveja, Soda gelada, lógico...”, pensava. Danone pingo d’água pra falar com ele.

Brilhante idéia: acendeu uma lâmpada na hora, para atrair seu amado, com a senha.
Ela era seu número.

“– Cliente Mais, do Pão de Açúcar, senhor?”, pergunta.
“- Mais, muito Mais. Você nem imagina.”

Eles dão um Sorriso...

Finn. Acabou-se a dieta.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Opinião



“Na minha opinião...”
Isto também incomoda.
Você pergunta uma coisa para a pessoa e ela diz isso.
Não sei exatamente por que me diz que é “na sua opinião”.
Se perguntei a você, é lógico que quero saber a SUA opinião! Ou, como quando me disse que, “pra ser sincero”, também não dava sua própria opinião até hoje, antes de dizer isso? Eu estava achando que você sempre dava a sua opinião. Sua cabeça era uma folha de papel em branco, até então?
Como assim “na minha opinião”?!? Normalmente você não tem opinião?
Preciso avisar que não quero a opinião de outro quando te perguntar alguma coisa?
Não seria o contrário? Dizer que na opinião de “Fulano” isto é assim – mas tão somente quando quer citar a opinião de alguém?
“Na sua opinião”? Não mude a minha sobre você.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Os índios do futuro

Foto: Beco Bresler


Se os deuses fossem mesmo astronautas, como disse Däniken, os dragões seriam naves e assim por diante.
Fascina a idéia de sermos nós mesmos voltando no tempo levando tecnologias desconhecidas, até então, como uma cobra que morde o próprio rabo. 
A tecnologia humana dando saltos, orientada por aquela nova ordem que chegava do futuro.
Como se fossem jangadeiros atravessando o céu em antigas naves encontrando a ingenuidade necessária para se criar mitologia.

Dizem que os índios, nos Descobrimentos, não notavam as caravelas, por não fazerem parte de sua realidade visual. Para eles, simplesmente “não existiam”. Olhavam e não as viam. Elas lhes pareceriam parte da Natureza, talvez. Ao ancorar e chegar em botes, os navegantes apontavam para as Naus e eles não as enxergavam.

O que será que, para nós, hoje, os “novos índios”, “não existe” no horizonte?
Nossas “caravelas” do futuro...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Minha tia Lurda


Quem me conhece, conhece minha madrinha. A Lurda, tia Lourdes.

Ela sempre me paparicou. Ganhei carros, motos, muita coisa dela, que sempre me tratou como filho. Fez tudo o que pôde e, até, acredito, o que não pôde, por mim. À noite, na infância, ela contava estórias para eu dormir.

O problema é que, desde criança, eu sou notívago. Acabo sempre dormindo tarde.

E minha tia dorme muito cedo e acorda “com as galinhas”, como diz ela, muito cedo também.

Lembro-me dela, coitada, querendo me hipnotizar, contando as estórias, para as quais eu dava até briefing: tinha que ser de cavalo (eu avisava como seria o cavalo, etc.).

Ela contando, dizia “o cavalinho corria, corria, corria...” e eu impaciente, dizia “mas aonde ele chegou, tia?” e ela ia tentando contornar e me fazer dormir.

Numa dessas noites de ar refrigerado no Rio de Janeiro (eu não saía do quarto dela, geladinho, o dia todo, inclusive) eu a extorqui: prometi que dormiria se ela me desse um sorvete de sete bolas – detalhe: tinha que ser de sabores diferentes.

E o tal do sorvete de sete bolas ficou famoso, falado na família. Os rumores: "onde ela irá achar um sorvete de sete bolas para este menino?"

Até que um dia fomos à Colombo, uma casa de chás e lanches muito conhecida no Rio. Quando sentamos e pedimos o tal sorvete, o garçom fez uma cara que ela não gostou nem um pouquinho e disse algo pior ainda. Ele estava “achando errado” ela fazer isto por mim.

“- Muito obrigada. Iremos a outro lugar!” Levantamos e fomos embora.
Naquele momento ela virou minha heroína, como em tantas outras vezes.

Depois só conseguimos achar as bolas de sorvete em separado, mas, para mim, confesso, foi muito mais legal assim.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Fazendo fumaça

Drinkcannacola/Divulgação

Quando minha falecida mãe dizia “tomou maconha”, nós dávamos muita risada.
O nível de sua ignorância no assunto era impressionante. Melhor assim.
Hoje leio na Folha que estão lançando no Estado do Colorado, EUA, em fevereiro, um refrigerante da erva, com sabores diversos - cola, laranja, limão, uva...
Dizem que o efeito é o mesmo que o de uma cervejinha.
Imaginei aquela figura que olha para os lados e abre o casaco, e, dentro dele, estariam os produtos. Você escolhe e ele discretamente lhe passa uma garrafinha.
Pensei no carrinho em frente às escolas, vendendo doces e refrigerantes de maconha.
A mãe falando para seu filhinho: “- não gaste tudo em refrigerante! Pode estragar seu cérebro!” (Antes eram os dentes. Quem se lembra?), e a criançada "doida" pra ir pra escola.
Vejo a minha mãe, lá do céu, olhando isto tudo e, com uma risadinha de canto de boca:
“- Bem que eu dizia...”

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cara Polishop and friends

Retirado de minha caixa postal.


Falo com vocês em nome de todos os meus amigos.

Falo com vocês em nome de todos os seus amigos.

Eu não quero aumentar meu bumbum nem meu pinto (pênis). Não procuro Viagra nem “bolinha” nenhuma (a preços inacreditáveis!).
Tenho medo de clicar naqueles links que prometem parar de me encher, lá no rodapé de seus emails infames, porque pode ser um problema pior.

Ao “Bradesco”, informo que, para recadastrar meus “dados” seria preciso eu ter conta na instituição.
Eu não passo corrente nem acredito nelas. Não quero ser o décimo de sua lista, por favor.

Um dia vai ter solução. Sei que ainda demora.

"Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade, sem esperar resposta." Heitor Villa Lobos

A luz e o tapete

Descartes




Ontem acabou a luz.
Velas acesas. Silêncio absoluto. Encontramo-nos, eu e minha cabeça, isolados.
Para ler era difícil. Nada funcionava. Abri a porta da rua e busquei alguma réstia de luz, vida. Relutante ao fato que teria que me contentar comigo mesmo, pensava, gostava, parava. “-Estou apenas pensando.”,  pensei. Naquela escuridão veio a luz. O estalo. Lembrei-me de como os tapetes persas são lindos, de como a luz faz sua falta. A energia.
Lembrei-me de uma coisa que já pensei: “o cérebro é o único órgão que tem consciência de si mesmo.” “-Estou apenas pensando.", pensei.
Não quero que pensem que estou biruta, mas pensar é muito bom.
Discordando de Descartes, PENSO, LOGO A LUZ ACABOU.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Toalete a bordo




Antes que eu me esqueça, sou consultor financeiro. Ajudo as pessoas a se planejarem para fazer, manter e transferir suas riquezas. Sou o Chefe de cozinha de seu banquete financeiro.
É curioso: a única forma de se ficar abonado, sem se ganhar na loteria ou herdar uma fortuna, é gastando menos que se ganha. Parece tão óbvio, né? Milhões são feitos de muitos centavos juntos. Portanto poupar pode lhe salvar da pobreza no futuro.

Você sabe a diferença entre ter uma Pagero e uma Cayenne?
Caso opte pela Pagero e deixe a diferença aplicada durante 20 anos, terá guardado um milhão de dólares. Isto pode não resolver sua vida na velhice, mas com certeza fará uma boa diferença.
Vejo inclusive pessoas comprando carros de 100,000 dólares e morando em apartamento alugado. O carro dá despesa e deprecia além de não gerar nenhuma receita. Carro não é casa, gente. A não ser que você more num trailer.